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24.08.16 | TRAC Comunicação

Coluna do Márcio Matador

TEMPOS OLÍMPICOS

Caros amigos do Clube de Pais, juro que tentei escrever sobre um tema do cotidiano do nosso Clube, mas, o cancelamento da última rodada somado com o clima olímpico que dominou o país nos últimos dias me fizeram curvar para o assunto referente às Olimpíadas.

Obviamente que também tratarei de futebol !!!

E, esta aí uma coisa que para mim não combina de maneira nenhuma….Futebol e Olimpíada, por incrível que possa parecer.

Sempre fui defensor da tese de que não deveria existir a modalidade de futebol nas Olimpíadas e, mantenho esse meu pensamento mesmo após a conquista da inédita medalha de ouro por nosso país. Defenderei essa bandeira através de alguns pontos de vista:

– A logística para o futebol é horrível, pois, pela característica do esporte, necessita de várias sedes e, com isso, os atletas sequer convivem na Vila Olímpica, o que, convenhamos, deve ser o mais legal para um atleta olímpico. Nesta mesma linha, a modalidade precisa começar antes da Abertura Oficial. Quem sabe se os jogadores de futebol da Colômbia e do Brasil tivessem participado da Abertura Oficial, realizando o juramento dos atletas antes de entrarem em campo, evitassem a conduta antidesportiva, antiética que fizeram no primeiro tempo na partida realizada entre as duas seleções. De um lado atletas apenas querendo fazer faltas e de outro, uns “galinhos de briga”, reclamando de todos os lances, esquecendo por completo de jogar bola. Aliás, acredito que aqueles 45 minutos devem ter sido um dos mais feios da história das Olimpíadas.

– O nível técnico de quase todas as seleções é sofrível. Em todos os outros esportes olímpicos temos a presença dos melhores competidores do mundo, que se preparam durante 4 anos para chegarem no ápice durante a Olimpíada, já no futebol as seleções fazem um “catadão”, dando todas as impressões que apenas cumprem tabela na competição. Observamos o esforço, a garra, a técnica dos atletas de outros esportes para chegar a uma final olímpica, muitas vezes deixando de disputá-las por milésimos de segundo, por um décimo de nota, por uma cesta e no futebol temos um caminho absolutamente fácil, diria até ridículo, enfrentando Iraque, África do Sul e Honduras. Fico imaginando a raiva de um atleta olímpico de natação disputando uma semifinal e ficando de fora da grande final por um centésimo de segundo e depois vê a semifinal olímpica de futebol entre Brasil e Honduras.

Vejam bem, a seleção brasileira não tem nada a ver com isso e faturou a medalha de ouro. Não se trata aqui do famoso complexo de vira-lata, muito pelo contrário. Acredito que todos os verdadeiros brasileiros que gostam de futebol estavam torcendo pela vitória, ficando nervosos nos pênaltis e, após a conquista, comemoram o título inédito. Trata-se apenas da constatação que o futebol gira em outra órbita, não pertencendo ao mundo olímpico. Como muito bem disse o Dizinho, vulgo Comendador, “o futebol não precisa das Olimpíadas, muito menos as Olimpíadas precisam do futebol”.

No futebol temos várias competições importantíssimas, tanto para clube como para seleções. E, ainda temos várias repartições entre esses dois grupos. Para os clubes temos competições nacionais e internacionais e, num grande número. Para as seleções temos competições continentais e intercontinentais, ou seja, um calendário recheado, com atletas tendo que se redobrarem entre os Clubes e Seleções.

E, para finalizar esse assunto, fico com a impressão de que apenas o Brasil dá uma grande importância para o futebol nas Olimpíadas e acredito que, a partir da próxima Olimpíada em Tóquio, essa importância irá diminuir drasticamente, chegando perto da relevância que outros países dispensam ao futebol, o que tornará a modalidade ainda menos interessante para o mundo olímpico. Apenas um palpite…

E falando em Seleção Brasileira, acredito que agora irá começar a fase mais difícil da nossa história com o recomeço das eliminatórias da Copa. Estamos mal classificados, com um time sem qualquer padrão de jogo, numa das piores safras de jogadores da nossa vitoriosa história e, ainda por cima, tendo que domar o gênio de um dos personagens mais interessantes da nossa história futebolística.

Neymar, com tão pouca idade, já escreveu seu nome na história do nosso futebol. Para muitos como um dos melhores jogadores do nosso rol de craques, para outros como um dos maiores intragáveis e prepotentes que já vestiram a amarelinha. Amado e odiado na mesma intensidade. Nessa questão o Brasil está dividido e, no meu ponto de vista, caberá ao Tite decidir o futuro dele, pois, nem mesmo o Barcelona, com sua fantástica administração, conseguiu. Entendo que não conseguiu porque o talento sempre esteve em alta, com grandes conquistas e gols, porém, o jeito moleque (no pior sentindo…), a arrogância, a imaturidade e a insubordinação também sempre o acompanharam.

E todo esse lado negativo toma uma proporção ainda maior quando ele veste a camisa amarela. O “mimo” de uma imprensa sórdida e deslumbrada, a falta de uma liderança de outro jogador, a falta de uma liderança no comando técnico, a total ausência de um diretor sério e competente dentro da CBF, aliados ainda com uma safra limitada tecnicamente são fatores que potencializam esse lado “babaca” e “mimado” de Neymar.

Tenho esperança que o Tite coloque o nosso trem nos trilhos e nos leve para a próxima Copa, pois, ao contrário do que falaram a imprensa deslumbrada e o nosso arrogante capitão após a conquista do ouro, nem de longe reencontramos o nosso futebol.

Quem sabe os nossos “craques” do futebol, aproveitando-se dos exemplos olímpicos, tenham a técnica de Felipe Wu no tiro esportivo, tenham a garra de Rafaela Silva, a tática de Thiago Braz, a perseverança de Diego Hypólito, a busca da perfeição de Bernardinho e, o que parece mais difícil nos dias atuais, a simplicidade de um Isaquias Queiroz.

 

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